Dana White, o poderoso chefão do UFC.

O presidente só tem 10% da empresa que administra o UFFC, mas manda e desmanda no universo das lutas
Ele é o homem certo no lugar certo. Ex-funcionário de hotel, exboxeador amador, ex-personal trainer, ex-empresário de lutador, Dana White foi o cara que acreditou, há dez anos, num evento semifalido e o transformou em uma das franquias de esportes mais bem-sucedidas do mundo. Carismático e bom orador, o presidente do UFC sabe como ninguém promover o esporte – não à toa, é chamado de “Don King” do MMA.
Em 2001, ele era empresário do lutador Tito Ortiz e precisou negociar um contrato com os então promotores do Ultimate. Ouviu no encontro que a marca não andava bem e talvez não fosse possível pagar as bolsas prometidas aos atletas. “Liguei na hora para meus amigos de infância Frank e Lorenzo Fertitta, donos de cassinos em Las Vegas, e, um mês depois, éramos os donos do UFC”, lembra Dana White. “Eu sabia que aquilo seria grande. Desde que entrei em contato com o jiu-jítsu, anos antes, tinha certeza de que o esporte tinha potencial.” Para administrar a marca, foi criada a Zuffa (“luta”, em italiano). Os Fertitta, sócios-majoritários, nomearam Dana, que ficou com 10% da empresa, seu presidente.

Após UFC conquistar o Brasil, Dana White sonha com resto do mundoDana White é a cara do UFC. E, embora se finja de tímido, sabe de sua importância. “Faço toda a produção do evento, decido o que vai rolar, penso na transmissão da TV, tudo é comigo. Lorenzo e Frank são grandes homens de negócio. Eu sou o lado criativo”, diz. De fato, Dana dá palpite em tudo – decide até a luta principal de cada noite. Quando ocorrem desavenças entre os três, ganha quem tem o discurso mais inflamado. “Eles são mais donos da empresa do que eu, mas se um de nós está realmente apaixonado por alguma coisa ou alguma ideia, vence a discussão.” A luta, aliás, está no DNA da Zuffa. “Há uma cláusula no contrato da empresa que prevê que, se Lorenzo e Frank não concordarem com alguma coisa, deve haver uma luta de jiu-jítsu entre eles. E eu serei o árbitro.”
Dana White headshot.jpgDana White não vê limites para a marca. Depois do sucesso estrondoso no Brasil em 2011, o UFC deve retornar ao Japão (após 12 anos) em fevereiro. E, em seguida, conquistar Índia, China e Coreia do Norte. “Uma geração inteira vai crescer em contato com o esporte. No Brasil o futebol é muito grande. Mas vamos ser tão grandes quanto. Ou maiores.” Para alcançar o que quer, o poderoso chefão não mede esforços (e, às vezes, usa métodos nada ortodoxos). Em 2007, comprou por 70 milhões de dólares o Pride, evento concorrente que existia desde 1997 no Japão, e o extinguiu. Ameaçado pelo sucesso de outro evento de MMA, o Strikeforce, Dana tratou de comprá-lo em 2011 – e passou a ser acusado de monopólio. Por enquanto, a marca Strikeforce vive.
Dana White está milionário. Tem um jatinho (“só viajo nele para conseguir cumprir meus compromissos”), uma coleção de carrões, uma mansão em Las Vegas. Tira três férias de 10 dias por ano para curtir a mulher e os três filhos. Sua popularidade é maior do que a da maioria dos atletas de seu evento – ele tem mais de 1,7 milhão de seguidores no Twitter. “O legal do Twitter é que, quando as pessoas me falam merda, posso falar merda para elas de volta. Não faço média. Acho que a gente tem de ser do jeito que é na vida.”